Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Valkíria

A Valkíria mora muito longe daqui. E eu acho isso bom, porque odeio ela. Claro, se eu quiser eu posso encontrá-la facilmente, e muitas vezes eu vou atrás dela para encher seu bumbum de palmadas. Mas agora eu não quero. Agora eu quero só contar minha história.

Eu a detesto porque um dia eu a amei muito. E em troca ela me manipulou, me usou, e acabou com minha vida. Já o pai dela é hoje o meu melhor amigo. E dizer que eu o odiava antes! Bem, se alguém ainda é capaz de amor nessa história é o pai dela. Mas que história, o leitor deve estar se perguntando. Bem, vamos contá-la.

Tudo começou quando eu vi Valkíria pela primeira vez. Ela ficava na janela de sua casa, olhando a rua, com tristeza... eu era só um carteiro que sempre via a moça triste olhando a janela. Eu era um carteiro caipira e muito bobo, e pensava muito naquela bela moça triste na janela.

Pois um dia eu entregava as cartas na casa dela e ela estava no portão. Então, ela aproveitou e pegou as cartas antes que eu as colocasse na caixa. Ela me agradeceu e entrou na casa. De perto, ela era ainda mais bonita. De noite, eu sonhei com ela. O começo da desgraça.

E por duas ou três semanas eu passei a encontrá-la todos os dias no portão. Eu entregava as cartas para a Valkíria, e sempre tinha vontade de conversar com ela. Mas eu nunca tinha coragem.

Até que um dia a Valkíria não apareceu no portão. Eu estranhei, mas coloquei as cartas na caixa. Por alguns dias, ela não apareceu. Depois, ela apareceu de novo, mas não ia até o portão, ficava triste na janela, olhando para rua, e eu me comovi ainda mais do que antes.

Então, ela voltou para o portão, a me esperar para pegar as cartas. Foi quando tivemos a primeira conversa.

- Oi moça, me desculpe, mas... qual o seu nome?
- Valkíria. E o seu?
- Chico. É que eu queria perguntar uma coisa...
- O que?
- É que... você parecia muito triste, olhando a rua da janela... eu queria saber o motivo, porque eu talvez possa fazer algo para ajudar... me desculpe a intromissão.
- Não, é que... a Valkíria baixou os olhos, envergonhada... desculpe, Chico, mas eu não quero falar nisso agora, desculpe...
- Tudo bem, Valkíria, eu que peço desculpas pela intromissão.

E ficou assim, eu ainda mais curioso e ainda mais apaixonado. A Valkíria é esperta, e eu achava ela uma pobre menina sofrida... como ela me enganou direitinho...

No dia seguinte, lá estava ela no portão. Com uma expressão triste, meio envergonhada, mas estava ela lá, pronta para receber as cartas. E no outro dia, e mais um outro, e outro... por umas duas semanas, mais ou menos, ela estava lá, pronta para pegar as cartas na minha mão.

E um dia, sumiu de novo. Por alguns dias, esteve sumida. Então, depois de uns dias, eu a vi novamente na janela. Ela olhava para o horizonte, triste, triste... eu, cada vez mais comovido, e cada vez mais envolvido, não conseguia pensar em nada que não fosse Valkíria. Ela estava em meus sonhos, em minhas visões, em meus delírios. Então, novamente ela voltou ao portão para pegar as cartas na minha mão, e tivemos a segunda conversa.

- Oi Valkíria.
- Oi...
- Eu vi você na janela nesses dias todos... eu não quero ser rude, mas é que...
- O que?
- A sua tristeza, Valkíria... sua tristeza me incomoda, me desculpe. Por favor, tem certeza que não posso fazer nada?
- Não, Chico, não pode... desculpe, eu sei que você só quer ajudar, mas é que... não posso te contar.
- Por que não, Valkíria?
- Porque tenho vergonha...

E ela correu para dentro da casa, com as cartas que eu tinha entregue. Eu fiquei a imaginar o que seria, o que envergonhava tanto assim a pobre moça?

No dia seguinte, como sempre, eu fui até o portão, entregar as cartas. E eu, besta que sou, pensei que a Valkíria iria se abrir comigo. Foi quando ela me enganou de vez! Mas enfim, a Valkíria estava no portão me esperando para pegar as cartas e me fez um sinal para eu me aproximar.

- Chico...
- Sim, Valkíria, o que foi?
- Eu não deveria estar falando com você... mas é que ás vezes é difícil guardar isso para mim...
- Fale, querida (foi a primeira vez que eu, idiota que sou, chamei ela de querida...), desabafa, estou aqui para isso.
- É meu pai..
- Seu pai?

Então pensei numa coisa estranha: eu nunca tinha visto o pai dela, nem sabia que ela tinha um pai... aliais, eu nunca tinha visto ninguém naquela casa além dela. Mas alguém deveria ser dono daquela mansão isolada e distante do centro da pequena cidadezinha onde eu vivia. Ela não tinha cara de ser dona do local, muito menos de trabalhar para mantê-lo. Mas eu nunca tinha pensado nisso, obcecado pela moça e sua triste beleza, que me cativara tão profundamente...

- Seu pai... sim, todo mundo tem um pai, então você deve ter um também... mas o que tem ele?
- O meu pai... ele não me deixa sair dessa mansão, Chico. Ele não me deixa falar com nenhum homem, ele espanta todos os homens que tentam se aproximar de mim, e ele me bate...

Eu ouvia, ela falava de um jeito tão triste e tão sincero... e eu era tão bobo... ouvia chocado e impressionado o que a pobre moça me contava...

- É tão triste, Chico... e tão humilhante...
- Valkíria...
- Eu tenho medo dele descobrir que converso com você, Chico. Por isso eu ás vezes te evito...
- Valkíria, meu amor... ele te machuca, ele te deixa ferida?
- Não, Chico, ele não me fere com gravidade... não fale disso, são muito vergonhosas para mim essas lembranças...
- Sim, imagino... pensar no seu rosto tão lindo, machucado...

A Valkíria pôs as mãos nos olhos, envergonhada, e disse para mim:

- Não, Chico, é isso o mais humilhante, não é no rosto que meu pai me bate...

Disse, e saiu correndo para dentro da casa.

Eu fiquei chocado e ao mesmo tempo fascinado com o que ouvira. “Será que eu entendi bem?”, eu pensava. “Será que essa moça tão meiga, tão fina e já adulta, será que ela ainda apanha no bumbum? Será que foi isso mesmo que a Valkíria quis dizer quando disse que não apanha no rosto e por isso é tão humilhante? Será que o pai dela é um tirano tão rude ou tão louco assim?”

Pensava, e segui meu caminho perdido com esses pensamentos. Eu tive por vários dias a visão da Valkíria com a saia levantada e as calçolas abaixadas, deitada no colo de um velho grande, forte e rude, como eu imaginava o pai dela, que lhe dava palmadas e mais palmadas... e a pobre moça, chorando um pouco de dor mas muito mais de vergonha. Coitadinha, eu pensava... eu era um bobão.

Nos outros dias, eu não vi a Valkíria no portão. Eu a vi uma vez na janela, e fiquei a observá-la. Mas quando ela me viu, ela cobriu o rosto com as mãos e se afastou, envergonhada. Ela devia saber que eu pensava nas palmadas que seu pai dava no bumbum dela.

Um dia, eu estava me preparando para entregar as cartas quando bateram à minha porta. Era um senhor de cabelos brancos mas ainda digno e saudável, que hoje é o meu melhor amigo. Ou melhor, meu único amigo. Mas naquele tempo era um desconhecido que me provocava antipatia, pois eu logo imaginei que deveria ser o homem que surrava o bumbum da minha amada.

- Bom dia, senhor...
- Bom dia. Sou o pai da Valkíria. Eu vi que ela anda conversando com você. Pois eu digo que é melhor você não dá mais atenção à ela. Evite minha filha. Não fale com ela. Sequer olhe para ela. Se topar com ela no portão, ignore-a. Ela não deve falar nem com você nem com homem nenhum. Eu gostaria de poder explicar tudo, mas você não acreditaria. O que posso fazer é te alertar e tentar impedir que ela continue a tentar te seduzir.

Eu não entendia a situação. Tudo aquilo era muito confuso para mim. Então, esse homem era o carrasco da minha amada, que não admitia que nenhum homem se aproximasse dela? Pensar nisso me deu coragem para dizer:

- Desculpe, caro senhor, mas é verdade que você bate nela?

Eu não tive ainda coragem de perguntar se era mesmo no bumbum que Valkíria apanhava do próprio pai, embora não pudesse deixar de pensar naquele senhor com a Valkíria deitada de bruços no colo dele, com o bumbum despido, levando palmadas humilhantes e dolorosas.

Ele suspirou e balançou a cabeça antes de responder.

- Você acha que eu sou o monstro e ela é a coitadinha nessa história, não acha? Pois está enganado. Você não sabe de nada. Se afaste dela, eu te digo. Será pior para você se não seguir meus conselhos.

E ele se foi, me deixando ainda mais confuso. O pai da Valkíria não parecia ser ciumento, mas o que ele me disse não tinha sentido para mim. Seria ele um louco? Ou talvez a louca fosse a Valkíria? Ou eu, quem sabe?

Fosse como fosse, eu ainda tinha que trabalhar, e fui entregar as cartas na mansão que ficava afastada da cidadezinha onde eu morava, a mansão sinistra onde Valkíria era uma prisioneira humilhada pelo próprio pai. Eu a encontrei no portão, e vi que ela tinha chorado. Eu me apaixonei ainda mais, o que eu não imaginava ser possível.

- Chico, oh chico...
- Valkíria...
- Meu pai me bateu de novo, Chico, por sua causa. E eu chorei de vergonha, chorei até agora.

A Valkíria cobriu o bumbum com as mãos e se acariciou por cima da saia, o que confirmou o que eu imaginava, que ela ainda levava palmadas do pai. Me senti comovido, revoltado e ao mesmo tempo excitado, obcecado pelo bumbum vermelho dela, como um louco apaixonado.

- Chico, eu não posso mais suportar isso. Por favor, me ajude a fugir daqui. Isso é muito humilhante e doloroso. Meu pai não me deixa viver, eu quero viver. Quero levar uma vida de moça normal. Por favor, Chico, me ajude a sair daqui.
- Claro, Valkíria, claro, hoje eu vou tentar entrar aí e tirar você.
- Chico, venha de noite, o papai não te verá se você vier a noite.
- Sim, querida, sim, eu virei de noite. Virei com uma pá e cavarei um buraco para você passar.
- Chico, traga duas pás, assim eu cavo por dentro e você por fora, e será mais rápido.
- Sim, querida, farei isso.

E lá estava eu, de noite, como idiota, cavando um buraco debaixo da cerca da casa da Valkíria. Ela, cavando por dentro, tirava mais terra do que eu, como se fosse duas vezes mais forte, mas eu não percebi isso na ocasião, obcecado que estava em tirar o máximo de terra possível. Quando terminamos, ela se arratou pelo buraco, saindo assim da casa do pai dela, e ainda suja de terra me abraçou e me beijou. Eu me sentia um cavalheiro que tinha acabado de salvar uma donzela.

- Chico, você é maravilhoso!
- Valkíria, eu te amo. Te amo...
- Vamos sair daqui, querido, meu pai não pode nos achar.
- Tem razão, vamos correr.

E corremos para longe. Eu ainda não sabia para onde levaria minha amada. E ela correu na minha frente. Corremos de mãos dadas até um bosque, onde paramos para tomar folego. Mas Valkíria não parecia estar cansada.

- Será que meu pai nos achará aqui, Chico?
- Por enquanto não, mas ele sabe onde moro, deverá ir até minha casa. Vamos pensar em um lugar para você ficar, até podermos morar juntos...
- Mas por enquanto estamos sossegados aqui?
- Sim, por enquanto....
- Oh, Chico!

E Valkíria me abraçou, depois me beijou... depois, ela começou a lamber meu rosto, e meu pescoço... aquilo me agradava até que senti uma mordida.

- Ai, Valkíria, o que é...

Mas ela, a maldita, não me respondeu. Mordeu com mais força, e com tanta força apertou meu pescoço com os dentes que não tive voz para gritar. Quando ela parou, olhou para mim, e eu vi, apavorado, que sua boca estava suja com meu sangue, seu sorriso cínico mostrava longos caninos, e ela olhava para mim com gula e maldade. Foi a última coisa que eu vi vivo, pois logo ela enfiou novamente os dentes em meu pescoço e eu desmaiei, e depois morri.

Eu morri, mas não permaneci inconsciente por muito tempo. Logo acordei na casa do pai da Valkíria, que olhava para mim com tristeza.

- Eu bem que te avisei... não pode me acusar de não ter tentado te avisar.
- Você... o pai da Valkíria...
- Sim, essa é a minha sina.

Por dentro, a mansão do pai da Valkíria é ainda mais sinistra. Bela, bem decorada, com belos quadros, mas tudo em tons escuros... era de noite, e estávamos à luz de velas.

- Amanhã, de manhã... eu... voltarei para minha casa...
- Não, você ainda ficará por aqui pelo menos por uns dias. Você precisa se fortalecer. Aí, poderá sair pelo mundo, atrás de um lugar onde possa ficar em paz. Não se preocupe, isso é mais fácil do que você talvez pense. Mas o fato é que nessa cidadezinha você não poderá ficar. Esqueça os seus conhecidos, você não os verá mais.

Aos poucos, eu voltei a ter noção de mim e de onde eu estava, mas ainda não entendi o que tinha me acontecido. Me lembrei das mordidas da Valkíria, pedi um espelho ao pai dela pois queria ver o quanto meu pescoço estava machucado.

- Você não vai gostar do que verá no espelho, Chico. Esse é seu nome, não é?
- Meu pescoço está tão mal assim?
- Não, ele já cicatrizou. Estava muito feio há meia hora atrás, mas agora está normal, ninguém percebe. Mas isso você também descobrirá por si mesmo.
- Quero um espelho.
- Bem, eu te darei... mas lembre-se de que foi avisado.

E ele me mostrou um espelho na sala. Eu via refletindo nele toda a sala, mas não me via. O pai da Valkíria andou até o meu lado e apareceu no espelho, e eu o via no espelho mas não me via.

- Como é isso, eu não me vejo no espelho?
- Não, e também deve evitar o dia. Você sabe, a Valkíria só o via no portão porque lá no portão uma grande arvore faz sombra e a protege do sol. Mesmo assim, ela fica fraca durante o dia, como todos os vampiros quando não estão dormindo. Tanto que pediu para você aparecer a noite.
- O que você quer dizer com tudo isso? Que loucura é essa?
- Meu Deus, você demora mesmo para entender as coisas, hein Chico. A minha filha é uma vampira e ela te transformou em um vampiro. Eu tentei te avisar. Mas não podia dizer que a Valkíria queria te seduzir para sugar seu sangue, você não acreditaria. Bom, agora é tarde.

Eu ouvia, mas não acreditava. Mas então, senti vontade de beber sangue, lambi meus dentes e, apavorado, senti que tinha dois grandes caninos, pontiagudos a afiados, como se eu fosse um feroz animal. O pai da Valkíria parecia estar lendo meu pensamento, pois ele disse:

- Logo mais te trarei sangue de vaca. Aqui na minha casa você pode contar com sangue de animais para se nutrir. Eu crio cavalos, gado, porcos, galinhas e cachorros. Minhas filhas não precisam de sangue humano. Mas elas são más e preferem sangue humano.
- Filhas?
- Tenho sete filhas. Todas são vampiras. Eu fiz um pacto e me tornei feiticeiro poderoso, mas tive que pagar um preço: eu e minha mulher concordamos em reencanar sete maus espíritos que se tornaram vampiras. Tenho tentado proteger inocentes como você, mas isso é difícil. Me tornei criador de animais por causa delas, sabe? Mas elas acham o sangue humano mais saboroso...
- Onde está Valkíria?
- Você quer vê-la? Eu vou chamá-la. Mesmo porque eu ainda não a castiguei pelo que ela fez com você.

Ele chamou Valkíria, que apareceu, andando devagar, empinada, provocante... bem diferente da donzela frágil que me provocou tanta pena no portão.

Quando ela me viu, sorriu.

- Você era mais belo vivo, Chico. Agora, pálido desse jeito, parece um cadáver... sim, agora você é um. Mas não precisa parecer.
- Valkíria, você sabe o que vou fazer com você, não sabe? - disse o pai dela.
- Eu sei, pai. Mais uma das suas ridículas surras de palmadas no meu bumbum.
- Ainda bem que sabe, o Chico verá, ele tem muita raiva de você... e pelo jeito não é só uma raiva que se resolve com palmadas no bumbum, essa raiva do Chico.

De fato, eu já odiava Valkíria. Ainda não tinha vivido uma vida de vampiro, com tudo de ruim que tem uma vida de vampiro, mas já odiava Valkíria, no mínimo porque ela me fizera de tolo.

De repente, o pai da Valkíria me perguntou:

- Você não gostaria de dar na Valkíria a surra no bumbum que ela merece, Chico?
- A Valkíria merece 1000 surras de muitas palmadas no bumbum!
- Certo. Hoje, você dará uma. Depois, quando não tiver nada melhor para fazer e tiver tempo livre, as outras 999...
- Você fala sério?
- Você terá a eternidade para descobrir, vampiro Chico.

Como eu ainda me mostrasse surpreso, o pai da Valkíria disse mais:

- Chico, não se preocupe. Sua vida de vampiro será muito ruim. Você ainda terá raiva da Valkíria por muitos anos. Prefiro que possa descarregar essa raiva dando umas palmadas nela de vez em quando. Não se preocupe. Você terá toda eternidade para isso.

E então olhei para Valkíria, pensando nas palmadas que daria nela, já que tinha a permissão de seu pai. Nem sombra da donzela frágil que tanto tinha me comovido e me encantado no portão de sua mansão, Valkíria agora sorria cínica para mim.

- Valkíria, não há nada que você queira me dizer agora?
- Há, sim, Chico. O seu sangue era delicioso. Eu me fartei dele. Bebi todo. Todinho...

Eu pulei nela, e comecei a lhe bater no bumbum. Com fortes palmadas no bumbum. A maldita vampira, como eu a odiei naquele momento.

O que me deu muita vontade de surrar o traseiro da vampira foi ver que ela sequer tinha consideração pela paixão que senti por ela. Para Valkíria, foi apenas um jogo, ou menos que um jogo, o prazer de roubar o sangue de um ser humano. Mas para mim, seria uma dor que duraria toda eternidade.

Por isso, bati forte, sem dó.

Eu nem mesmo cumpri o ritual que se costuma fazer nesses casos, levantar a saia e abaixar as calçolas da moça que deve ser castigada: rasguei o tecido com as mãos, com uma força que eu atribui a fúria que me possuiu, mas depois eu soube que era da natureza dos vampiros, somos duas ou três vezes mais fortes que um homem normal.

Mas enfim, eu rasguei a saia e as calçolas dela, e a deitei de bruços, com o bumbum de fora, no meu colo. Era um belo bumbum, redondo, liso, e grande. Quando ela aparecia no portão, mesmo com uma grande saia, eu podia ver como o bumbum dela era grande e redondo. Mas eu nunca poderia imaginar como seria belo o bumbum dela, despido. Hoje, tendo encontrado tantas mulheres e moças em minha vida de vampiro, eu posso dizer que ainda não encontrei bumbum mais bonito que o da Valkíria. Igual, há muitos. Melhor, não.

Eu posso dizer ainda que ajudei o bumbum da Valkíria a ficar ainda mais bonito, pois logo comecei a dar fortes palmadas que deixaram aquele bumbum vermelho, bem vermelho. Será por causa das palmadas que o bumbum dela não pegava celulite? Dizem que muitas surras ajudam a deixar um traseiro bem feito, redondo e bonito. Bem, eu sei que a Valkíria apanhou e ainda apanha muito do pai, de mim e de outros vampiros, porque eu não sou a única vítima de suas artimanhas. Devem ter sido as palmadas que fizeram o bumbum da Valkíria um bumbum bem bonito. Eu tenho curiosidade de saber se os bumbuns das irmãs dela também são belos. Devem ser, porque todas as sete vampiras apanham muito no traseiro, pelo que sei.

Foi a primeira surra que dei no bumbum da Valkíria, e devo ter sido um pouco desajeitado. Mas bati forte, com vontade. Eu queria minha justa vingança. Aquela vampira não merecia viver. Eu só não fazia coisa pior do que umas palmadas porque o pai dela só me deu permissão para isso. Mas eu aproveitei bem a permissão do pai, isso aproveitei. E bati, bati, bati...

Ainda me lembro da cena, a primeira surra é sempre inesquecível. Cada golpe meu com a mão deixava o contorno dos cinco dedos, bem vermelho, naquele traseiro branco. Mesmo quando toda o bumbum da Valkíria se avermelhou, mesmo assim, minhas palmadas deixavam as marcas dos meus dedos naquelas duas massas redondas de carne lisa e bem distribuída que era o bumbum da Valkíria. E bati, e bati.

No começo, ela parecia desdenhar minhas palmadas, manteve um sorriso cínico apesar da dor por alguns minutos. Mas depois, seu rosto frio e entediado começou a fazer caretas de dor, caretas que se tornavam cada vez mais frequentes... não foi uma surra breve, eu estava com raiva, e mesmo com ódio, e queria ter certeza que bateria o máximo que poderia bater naquele bumbum redondo e liso. Quem sabe quando eu teria outra chance? Queria ter certeza que aproveitaria bem a ocasião, e deixaria a maldita vampira sem poder sentar direito por vários dias ou até semanas.

Quando acabei, eu deixei a Valkíria se levantar do meu colo. A surra foi tão forte que ela demorou ainda por um momento, pois certamente doía em seu traseiro quando ela mexia as pernas. Foi quando senti minha mão dormente. A fúria tinha me servido como estimulante mas também como um narcótico, de forma que enquanto bati nela eu não tinha percebido as câimbras em minha mão. Mas agora, aliviado pelo menos temporariamente do meu imenso ódio, eu senti que precisava massagear meu braço, meu pulso e minha mão, o que fiz, enquanto contemplava Valkíria, que olhava para mim com imenso ódio reprimido, mas tentando mostrar superioridade.

Ela me encarou por uns minutos, senti grande ódio em seu olhar. Pareceu que ela iria falar e achei que provavelmente diria algo desdenhoso, que pudesse me provocar... mas ela ou não pensou em nada ou pensou, mas teve medo de apanhar mais e guardou para ela. Então, se virou e foi para seu quarto. Ela ainda estava com o bumbum de fora, e eu pude ver totalmente o resultado das minhas palmadas: ele estava totalmente vermelho e inchado, as marcas do meus dedos se confundiam com vários hematomas. Sim, Valkíria teria dificuldade para se sentar sem uma almofada pra proteger seu bumbum por vários dias.

O pai dela me ofereceu um óleo para massagear meu braço e minha mão. Era um bom óleo refrescante, e eu realmente precisava. Depois, discutimos alguns assuntos relevantes. Eu estava morto, como estou até hoje, enquanto escrevo essas linhas, e era preciso que meu corpo fosse encontrado. Como vampiro, eu não poderia ter uma existência normal e minha família e meus amigos precisavam saber que eu morri, pelo menos para não perderem tempo nem correrem riscos me procurando. Eu eu e o pai da Valkíria fizemos com que encontrassem meu corpo morto na estrada, como se tivesse sido atacado por um animal, o que acontecia com frequência naquela cidadezinha besta onde eu morava. Meu enterro não atraiu muita gente, eu era um moço tímido e não tinha muitos amigos, e minha família também não era muito grande. Depois, eu fui correr o mundo. O pai da Valkíria tinha razão, arrumar um lugar onde eu pudesse ficar em paz foi mais fácil do que pensei. Hoje, eu vivo incógnito, numa casa abandonada perto de Curitiba. A qualquer hora, alguém vai demolir essa casa. Mas isso ainda deve demorar um bom tempo, e já tenho outro lugar preparado para quando eu precisar sair. Vocês já devem ter ouvido falar do Vampiro de Curitiba, não? Na verdade, são quatro vampiros, e eu sou um deles. Quando não estamos caçando mocinhas curitibanas, passamos o tempo jogando baralho.

Como o pai da Valkíria disse, é uma existência miserável e tediosa. Eu posso andar na rua durante o dia, mas tenho que evitar a luz do sol diretamente sobre mim. Por isso, dou preferência aos dias chuvosos e nublados, felizmente frequentes em Curitiba. Na estação seca, eu viajo para o exterior.

Eu perdi o paladar quase que completamente: não sinto o gosto da carne, nem das massas, nem das frutas, nem de nada, a não ser o do sangue. O sangue humano é o mais saboroso, e o sangue das virgens é o mais saboroso de todos, mas o sangue dos animais também serve.

Não tenho prazer no ato sexual. Nós, vampiros, podemos dar prazer as mulheres de várias formas, e usamos essa habilidade para atrair moças inocentes e beber seu sangue, mas nós mesmo não temos prazer. Isso é lastimável.

Devo dizer que eu mesmo não gosto de seduzir moças para beber o sangue delas. Só fiz isso cinco vezes em mais de quatrocentos anos de vida de vampiro, e em todas essas vezes as moças estavam doentes, portanto condenadas a morrer de qualquer forma. Eu contei a elas que poderiam existir na terra por mais algum tempo, mas que teriam que virar vampiras e teriam uma existência muito limitada pelas fraquezas dos vampiros. Elas entenderam a situação muito bem, e aceitaram. Mesmo assim, todas ficaram com raiva de mim quando viram o que era a vida de uma vampira que só pode ter prazer sugando sangue dos outros até matá-los. Duas superaram esse sentimento e se tornaram minhas amigas. Sem muitas intimidades, é verdade, mas amigas. Mas as outras não querem falar comigo até hoje.

Quatrocentos anos.... sou vampiro há quatrocentos anos... eu disse que o único prazer de um vampiro é sugar o sangue de suas vítimas, humanos ou animais? Bem, eu errei. Temos alguns prazeres intelectuais também. Por exemplo, eu aprendi e me lembro bem de 80 línguas, o que me é muito útil, pois vivo viajando pelo mundo, tentando esconder minha condição de vampiro. Outro prazer intelectual que tenho é conversar com alguns amigos muito inteligentes e cultos, como por exemplo o pai da Valkíria. Nós nos encontramos algumas vezes, o velho feiticeiro é um homem muito culto de fato, e é um prazer conversar com ele.

Falando na Valkíria, outro prazer que tenho é dar palmadas no bumbum dela quando fico muito chateado com minha condição de vampiro. Ela não gosta, ela detesta apanhar no bumbum, inclusive porque eu não sou de bater pouco, pelo contrário, eu “pego pesado” nas palmadas, como dizem aqui no Brasil. Nesses quatrocentos anos eu surrei outros bumbuns, e isso me ajudou a aprimorar a técnica de surrar uma moça que merece palmadas. A Valkíria não pode fazer nada: eu tenho permissão do pai dela, o velho feiticeiro, e, por causa de um encanto do pai, a Valkíria se vê impotente para reagir quando eu a surro.

Eu ainda a odeio. Eu não merecia se tratado como ela me tratou, o meu amor era sincero. Se pelo menos ela mostrasse algum remorso! Mas não, ela só sente prazer quando se lembra do meu sangue que ela bebeu, o fluido vital que me garantia a vida... ela poderia ter me deixado um pouco para poder seguir vivendo. Mas ela sugou tudo, pois não queria perder a chance de se regalar com um delicioso sangue humano de um carteiro da roça.

Eu me lembro quando conheci um homem que era neto de uma moça que queria namorar comigo, naquele tempo. Um homem muito simpático, maravilhoso, que vinha de uma grande e feliz família. Eu poderia ter vivido a felicidade que o avó dele viveu. A moça teria se casado comigo, se Valkíria não tivesse me matado. Quando eu pensei nisso, meu ódio pela Valkíria surgiu de novo com toda força, como se fosse um vulcão voltando a atividade. E eu fui até a casa do velho feiticeiro, o pai da Valkíria, para matá-la. Mas o pai dela só me deu permissão de dar palmadas no bumbum dela de novo.

Nesses quatrocentos anos, eu dei palmadas na Valkíria umas 100 ou 150 vezes. Muito pouco, em troca do que ela me fez. É a minha opinião, e o pai dela concorda. Mas enfim, como um vampiro eu tenho toda eternidade para acertar contas com ela.

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Segunda-feira, Agosto 08, 2011

TEIMOSA E DODÓI

Eu sou uma mulher casada, e sou uma mulher adulta. Eu faço o que quero quando quero. Mas o meu marido não concorda. Ele acha que tem que me tratar como criança e que tenho que obedecer como criança, e isso me deixa com muita raiva e acabo desobedecendo só porque não admito ser mandada. Eu o amo e sei que ele me ama, mas temos nossas brigas, que muitas vezes me deixam com o bumbum vermelho.

No mês passado, eu tive uma gripe muito forte, que me pôs na cama. O médico me deu 15 dias de licença, o que achei bom, mas me deu ordens de ficar na cama o máximo de tempo possível, o que achei ruim. O meu marido ficou preocupadíssimo, porque tive uma febre muito alta, uma enorme dor de cabeça e perdi todo apetite. Quando ele fica preocupado, ele fica autoritário. E disse muito sério para eu seguir todas as ordens do médico. Ele me conhece e sabe que não tenho paciência para ficar na cama, mas como a esperança é a última que morre, ele me mandou ficar.

Mandou! O verbo me dá tanta raiva... (menos quando o sujeito dele sou eu, é claro). Mas como eu estava mesmo me sentindo muito mal, eu obedeci desta vez. Acho que meu marido até ficou surpreso com isso.

Então, eu fiquei de cama, tomando remédio. O meu marido vinha e me dava os remédios. Ele vinha sempre na hora marcada e me via tomando os comprimidos e o xarope amargo. E quando ele vinha, ele me passava a mão na cabeça, alisava meu rosto, me beijava e me abraçava, e lia para mim uma revista que ele sabia que eu gostava até eu cochilar... então, ele me dava um beijo e saía, para voltar na hora marcada e me dar mais remédios, que eu tinha que tomar a cada seis horas. Ele vinha do serviço só para me dar os remédios, e programava o despertador para acordar a noite e me dar remédios. Ele me dava o xarope com uma colher, na boquinha, como se eu fosse um bebê, e colocava a pilula na boca para me dar ela quando me beijava... é um marido mandão, mas muito carinhoso.

Lá pelo quinto, sexto dia de convalescença, eu resolvi tentar caminhar pela casa, pois já estava me sentindo melhor. Eu andava uns cinco, dez minutos, e logo a tontura, a febre e a dor de cabeça voltavam, e eu voltava para a cama. Quando meu marido soube disso, me deu uma bronca, e eu não gostei. Ele me disse que eu precisava ficar de cama até melhorar, pois era para o meu bem, e eu respondi:

- Se eu me sinto bem, pouco importa o que o médico fala! Eu me sinto bem, não vou admitir ser tratada como se ainda estivesse doente!
- Mas você está, mocinha! Está doente e precisa ficar de cama!
- Eu não acho e eu decido!
- Se não estivesse tão dodói eu teria te dado já muitas palmadas... e vou dar, se você continuar teimando!

Eu fiquei de cama, emburrada. Sim, eu ainda não estava totalmente curada. Mas eu já podia andar um pouco, então vou andar um pouco, ora essa! Então, no outro dia, eu amanheci melhor, o meu marido estava no trabalho, então eu resolvi dar um passeio na rua. No elevador, eu tive uma dor de cabeça que deveria ter servido de aviso, mas quando teimo, eu teimo mesmo! E estava andando na rua, quando passei mal e caí no chão. Desmaei.

Acordei na cama de casa, um vizinho me viu e chamou meu marido, que me carregou nos braços até minha cama. Ele estava ajeitando o travesseiro debaixo da minha cabeça quando falou:

- Você é uma mocinha teimosa mesmo! Parece criança que precisa de palmadas! Sorte sua está tão dodói! Eu não sei porque tenho pena! Será que agora você vai obedecer? Ou eu vou ter que ficar aqui te vigiando em vez de trabalhar?

Ele estava com a expressão mais preocupada que eu já tinha visto. Eu estava mal demais para esboçar uma reação, e além disso eu tinha vergonha, por isso fiquei calada. Ele ligou para o médico, e marcou outro exame. Aí, ganhei mais uma semana de folga e meu marido mais uma semana de preocupação. O doutor também receitou um creme para passar no meu corpo, e meu marido me passava nas costas, enquanto me massageava. Ele fazia isso com carinho e paciência, e isso me fazia bem...

- Você não vai mais teimar, não é, meu amor? Você agora sabe que precisa mesmo se cuidar, não sabe, minha fofinha linda? Você me deixa tão bravo às vezes, teimando como teima... mas eu te amo, eu nunca vou deixar de te amar, eu te adoro...

E ele me beijava e me abraçava, depois de me massagear... enquanto estive doente, ele foi super dedicado e super carinhoso. A única coisa chata era ele dizendo de vez em quando que eu precisava de umas palmadas.

Então, depois de uns dias, eu me senti melhor de novo, e desta vez muito melhor. Eu andava pelo quarto, e não sentia nada. Resolvi passear um pouco na rua, e não senti nada. Eu me achava curada, mas ainda tinha alguns dias de folga, resolvi aproveitar para me divertir.

Foi quando meu marido chegou, e tinha uma cara de bravo e preocupado comigo. Ele foi logo dizendo:

- O vizinho me ligou avisando que você está passeando pela rua. Não sabe que tem que ficar de cama?
- Besteira, eu já estou boa.
- Mas o médico te mandou ficar de cama e você vai ficar!
- Não vou! Vou sair e tomar um soverte!
- Nem pensar! Trata de voltar para a cama e terminar de curar essa gripe!
- Não, eu vou tomar um soverte!
- Minha linda, eu estou pedindo.
- Eu vou tomar um soverte!
- Estou mandando!
- Ninguém manda em mim!

E saí. Ele foi atrás, mas eu corri até o elevador e fechei a porta antes dele entrar. Ele correu pela escada, mas não me alcançou, porque eu fui esperta e parei no primeiro andar, mandei o elevador para a garagem e sai do prédio pelo térreo.

Daí, eu fui até a soverteria. Quando ele me achou, eu estava saboreando um soverte gostoso e olhei para ele com expressão de desafio. Eu duvidava que ele se atrevesse a fazer alguma coisa. Por isso eu tive uma surpresa desagradável quando ele me pegou pela cintura, derrubando o soverte, e me carregou nos ombros até o carro.

Eu protestei, esperneei, esmurrei as costas dele, mas ele não me largou até me jogar dentro do carro, e me levou dali.

Eu ainda estava muito brava no carro, não tanto por ele ter me arrastado para lá quanto porque eu perdi meu soverte, e fui brigando com ele no caminho:

- Ora, quem você pensa que é? O corpo é meu, eu mando nele, eu que decido se preciso ou não me tratar, eu acho que estou boa e mesmo que não estivesse você não tem o direito de me obrigar a ficar em casa deitada na cama tomando remédios! Se eu quiser tomar remédio eu tomo e se eu quiser tomar soverte eu tomo! Porque eu mando em mim e sou dona do meu nariz! E você não tem o direito de me dar ordens como se eu fosse uma criança porque eu sou uma mulher adulta! E se eu ficar mais doente é problema meu e não seu! Pare o carro e me deixe sair!

Ele parou o carro, e não só me deixou sair como abriu a porta e me carregou para fora. Foi só então que notei que ele não tinha ido para nossa casa, e sim para um ponto de ônibus que ficava numa rua abandonada, onde passavam poucos carros. Foi quando ele me disse:

- Você não é dona de seu nariz, porque você não sabe cuidar de sua vida. Quem é adulto mostra maturidade e arriscar a saúde por um capricho não é sinal de maturidade. E nem foi só essa vez mas várias. Eu te amo, e quero tudo de bom para você. Mas se você vai agir como criança teimosa eu te tratarei como uma criança teimosa.

Disse isso, e me carregou até o ponto de ônibus onde ele se sentou e me deitou no colo com o bumbum para cima. Ele levantou minha saia e começou a baixar minhas calcinhas, e eu pedi, implorei:

- Não querido, por favor, eu vou morrer de vergonha se um carro passar!
- É para morrer de vergonha mesmo, que é só assim que você cria vergonha na cara!

Ele me deixou com o bumbum pelado e começou a me dar palmadas:

PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT...

A mão dele descia forte no meu bumbum, cada palmada ardia como se a mão dele fosse de brasas... mas o pior era o medo de aparecer alguém, a estrada era deserta mas eu olhava para o asfalto, rezando para ninguém me ver... Eu tentava proteger meu bumbum com uma mão, porque com a outra eu não conseguia alcançar, mas meu marido segurava ela contra as minhas costas enquanto me dava palmadas e mais palmadas:

PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT...

Então, eu vi um carro longe indo em nossa direção, e cobri o rosto, que ficou tão vermelho quanto meu bumbum deveria estar. O motorista não parou, acho que estava com pressa, mas deve ter visto a cena pela janela. Não sei quem era, tomara que não tenha sido nenhum conhecido, porque quem nos conhecesse saberia que era meu marido dando palmadas num bumbum que só poderia ser o meu... ai, era um carro parecido com o carro de um casal amigo nosso, até hoje eu tenho vergonha quando encontro um deles, embora não tenha certeza se eram eles e o carro deles naquele momento, em que me marido me ensinava a levar minha saúde a sério com palmadas bem fortes no meu bumbum:

PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT PLAFT....

Então, ele acabou. Finalmente, ele acabou. Meu rosto estava molhado de lágrimas, não tanto de dor quanto de vergonha. Eu tentei pegar a calcinha mas ele disse:

- Não, minha linda queridinha, minha fofinha que eu amo, nada de calcinha. E nem de saia. Quando chegarmos no prédio eu te empresto meu terno. Foi duro, não foi? Mas foi para o seu próprio bem. Para que você leve a sério o tratamento e fique boa logo, porque você me mata de preocupação quando está dodói. E saiba que vai ficar de castigo, depois dos dias em que você tem que ficar de cama. Nada de sair de casa no próximo mês para se divertir!

Eu obedeci, porque estava com vergonha e porque tinha medo de apanhar mais. Ele me emprestou o terno, mas só para eu descer do carro e andar de elevador. Eu tremia de vergonha, com medo que alguém percebesse que eu estava com o bumbum nu debaixo do terno dele e principalmente que meu bumbum tinha sido castigado com muitas palmadas.

Depois, em casa, ele veio me dar remédio na cama, me trazer a janta na cama, me fazer carinho e me abraçar e me beijar, e ainda passar um creme no meu bumbum, que estava bem vermelho, cheio de marcas de dedos, por causa das palmadas. Ele me fez prometer que não iria mais arriscar minha saúde e seguiria sempre as ordens do médico, porque era para o meu bem, ele não me mandava ficar na cama me tratando de graça mas porque me amava, e eu disse sim, eu sei, mas as palmadas foram muito fortes e eu tinha quase morrido de vergonha quando o outro carro passou perto de nós...

Depois, eu sarei completamente, e ele até me comprou um soverte gostoso, mas eu tive que ficar de castigo durante um mês. Foi muito embaraçoso, minhas amigas me convidavam para sair e eu dizia que não podia porque ainda estava me sentido mal da gripe e queria evitar o sereno, eu tinha vergonha de dizer que estava de castigo e se eu escapasse ia apanhar no bumbum de novo. Porque afinal não tem cabimento. Eu sou uma mulher adulta, não tem condição meu marido me botar de castigo e nem de bater no bumbum se eu fugir do castigo porque eu não sou mais criança há muito tempo. Mas me trata como seu eu fosse criança. Ele é carinhoso, dedicado, me ama de verdade e eu amo muito ele, mas ele me põe de castigo. E ele me bate no meu bumbum. Ele acha que tenho que ser disciplinada como se eu ainda fosse uma menininha. Quando ele vai entender que sou uma mulher adulta?

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Sexta-feira, Maio 13, 2011

Querida spankee...

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Sábado, Abril 30, 2011

Spanking Women1

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Terça-feira, Abril 05, 2011

FRENCH SPANKING/FESSEES FRANCAISES

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Sábado, Fevereiro 19, 2011

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Sexta-feira, Dezembro 31, 2010

Senhorita Lee e os Lobisomens Brasileiros

Elizabeth Baxter Lee nasceu nos Estados Unidos. Sempre foi uma moça inteligente e, a partir da adolescência, religiosa e bondosa. Um de seus professores notou essas qualidades e por indicação dele, com a aprovação dos pais, senhorita Lee foi admitida em um rigoroso internato, administrado por um grupo de eruditos católicos, mas não pela Igreja. As normas do internato eram muito severas, mas a senhorita Lee era uma moça de boa vontade, humilde e paciente, além de aplicada e estudiosa, e assim ela nunca foi castigada com rigor.

Quando a senhorita Lee fez 16 anos, a direção da escola, com a aprovação de seus pais, a enviou para a Europa, onde ela completaria seus estudos. Senhorita Lee viveu cinco anos em um convento na França, entre freiras e noviças, e era a única moça no convento que não estudava para ser ordenada freira. Sua presença se explicava pela necessidade de consultar constantemente os arquivos e a biblioteca do convento, para seus estudos, que eram supervisionados por um veterano exorcista. A senhorita Lee estudou vários textos sobre fantasmas, feiticeiras, vampiros e outros monstros, seres sobrenaturais que, no entanto, agiam dentro na natureza, despercebidos pela maioria das pessoas.

Orientada e protegida pelo exorcista, a senhorita Lee também presenciou vários casos, e assim ela soube do extremo sofrimento de pessoas vítimas de terríveis maldições. Ela teve medo, e medo intenso, e não por poucas vezes. Mas muito maior que o medo foi sua piedade pelos infelizes amaldiçoados, e sua vontade de ajudá-los. Essa vontade cresceu e se tornou uma extrema necessidade, a ponto da senhorita Lee não admitir outro objetivo em sua vida.

Quando completou 21 anos, a senhorita Lee terminou seus estudos na Europa e embarcou para o Brasil, para ajudar os infelizes amaldiçoados que viviam nas pequenas vilas ou até isolados nas matas do interior brasileiro. Ela levava uma carta de recomendação a um francês estabelecido no Rio de Janeiro, que seria seu chefe e orientador enquanto ela estivesse no Brasil. A jovem americana logo colocaria em prática o que tinha aprendido na Europa.

O francês a recebeu bem. Deu-lhe um quarto onde ela poderia dormir e guardar seus objetos pessoais, e algum dinheiro, pois dinheiro é sempre útil. Deu-lhe também um mapa da região aonde deveria ir e uma passagem de trem até lá. Deu-lhe uma medalha com a imagem de um santo, que serviria para que lhe dar sorte. E deu-lhe muitas informações sobre a situação do Brasil, naquele momento.

- Muitas pessoas estão desesperadas, senhorita Lee, – disse o francês – e a Igreja não quer se envolver. Todos os bispos recebem relatos e denuncias, mas nenhum os leva a sério e nenhum manda um exorcista tentar amparar as vítimas e curar os lobisomens. Se não fossem nossos espiões nas dioceses, muitos casos permaneceriam ignorados por muitos e muitos anos.
- É bem verdade, senhor Dumont, na Europa e nos Estados Unidos há o mesmo problema... mas é preciso admitir que um homem talvez não possa ser muito útil, pelo menos para curar os lobisomens.
- Realmente, um homem poderia matar um lobisomem, mas uma donzela é muito mais eficiente para curá-lo. Infelizmente, não são muitas as moças dispostas a essa missão, como você pode bem imaginar, senhorita Lee.
- Sim, isso também é verdade, infelizmente.

O francês Dumont mandou a senhorita Lee para um pequeno lugarejo distante chamado Vila Pequena, que tinha algumas dezenas de habitantes e estava quase isolado no interior do Brasil. Havia muitos mais habitantes, mas estes estavam quase perdidos, isolados entre os morros e as florestas, trabalhando para os “coronéis”, latifundiários da região, ou então viviam em suas pequenas fazendas, plantando pouco mais que o necessário para seu sustento. Eles só vinham à vilinha para frequentar a paróquia, onde assistiam às missas e festas, confessavam seus pecados e pediam conselhos ao padre Silva, que assim soube do lobisomem. No início, ele não acreditou. Mas, depois de ver provas irrefutáveis, escreveu ao bispo uma carta pedindo que mandasse um exorcista para Vila Pequena, para tratar de um caso de lobisomem. O bispo não respondeu.

O francês Dumont, no entanto, soube do caso e mandou uma carta ao Padre Silva, pedindo mais informações e prometendo ajuda. Os dois homens trocaram várias cartas nos meses seguintes, e foi assim que o padre soube da vinda da senhorita Lee à vilinha para salvar tanto o lobisomem quanto os pacatos habitantes de Vila Pequena.

A senhorita Lee desceu na estação de uma cidade próxima, pois Vila Pequena não tinha ferrovia, e um moço, um roceiro muito simples mas prestativo que fazia um favor para o Padre, a recebeu e a levou numa charrete até a casa do Padre, que a recebeu cordialmente.

- Senhorita Lee, a senhorita veio nos salvar!
- Eu vim tentar ajudá-los, Padre Silva. Não posso prometer sucesso, mas estou disposta a me sacrificar para ajudá-los.
- Ah, senhorita Lee, todas as moças deveriam ser como a senhorita.
- Não estamos aqui para julgar ninguém, Padre Silva, quem sabe o que Deus espera das outras moças? Bem, somente amanhã será noite de lua cheia, então eu acho que seria uma boa ideia se aproveitarmos o tempo para conversarmos sobre o assunto, Padre Silva.
- Também penso assim, senhorita Lee.

A senhorita Lee e o Padre Silva discutiram o caso do lobisomem por algumas horas. Jantaram, fizeram suas orações, e foram dormir. Durante todo o dia seguinte a senhorita Lee leu alguns livros sobre lobisomens, se informou sobre Vila Pequena, e, depois de conversar com o Padre Silva, chegou a conclusão que a encruzilhada perto da Ponte Primeira, assim chamada por ser a mais antiga ponte da região, seria o local mais provável para encontrar a infeliz fera amaldiçoada o mais cedo possível. A senhorita Lee deveria ir para lá no final da tarde, para que já fosse lua cheia quando chegasse na encruzilhada. O Padre Silva quis ir com ela, mas a senhorita Lee disse que não, a fera o mataria, era melhor que ele ficasse na capela a rezar pelo sucesso dela, pois somente uma boa moça poderia ajudar Vila Pequena e salvar a fera de sua maldição. Ela também fez um pedido especial ao Padre Silva, para quando ela voltasse.

Assim, montada numa mulinha, a senhorita Lee chegou à encruzilhada logo no comecinho da noite, com a lua cheia bem visível no céu já escuro. Lá, ela esperaria o lobisomem, o qual, segundo os rumores, tinha mais de dois metros e meio de altura, o corpo coberto de pelos, a pele dura como aço, garras grandes e afiadas, dentes capazes de partir peças de metal e um uivo como os dos lobos, só que muito mais alto e ameaçador. A grande fera deveria visitar sete encruzilhadas nas noites de lua cheia, matando pessoas e animais que encontrasse pelo caminho. Já havia quatro anos que a fera assolava a região nas noites de lua cheia, e nessas andanças o lobisomem provocara muitos prejuízos, tornando impossível mesmo uma vida apenas remediada, e muitas pessoas tinham abandonado o já muito pouco povoado município de Vila Pequena.

Por isso, era importante que a senhorita Lee encontrasse o lobisomem na primeira das sete encruzilhadas, quando ele ainda estivesse no começo de sua jornada de destruição: ela queria se adiantar à fera, curá-la e impedir que ela provocasse muitos males à população da cidadezinha.

Na encruzilhada, a senhorita Lee se ajoelhou e rezou, para se preparar espiritualmente enquanto aguardava a fera. Cerca de meia hora depois, ela ouviu o uivo do lobisomem, e se tornou pálida como um papel. Era apavorante, mesmo para uma jovem corajosa, a perspectiva de logo se encontrar com um tão perigoso monstro sobrenatural, e se não estivesse decidida a curar o infeliz que sofria com a cruel maldição de ser um homem lobo a senhorita Lee teria fugido com toda pressa. Mesmo com medo, porém, a senhorita Lee permaneceu em sua posição, e se portava bem, ainda mais considerando que esse era seu primeiro encontro com uma fera amaldiçoada.

Logo a senhorita Lee sentiu a terra treme, um pequeno tremor no começo, difícil de se notar, depois cada vez mais forte, ao mesmo tempo em que o barulho de passos em marcha acelerada aumentava cada vez mais, e a senhorita Lee, percebendo que o monstro estava quase a vista, se pôs de pé, olhando na direção do barulho do lobisomem a correr pelos campos.

A senhorita Lee quase desmaiou quando afinal o lobisomem apareceu. Em carne e osso, um lobisomem era ainda mais terrível que a descrição nos livros que ela tinha estudado na Europa, mais terrível que a descrição dos rumores que a população de Vila Pequena espalhava sobre ele: tinha mais de dois metros e meio, era imensamente musculoso e com o corpo coberto de pelos. Suas mãos eram semelhantes às patas dos lobos, mas muito maiores, e quadradas ao invés de alongadas, de forma que cada uma delas tinha o dobro do tamanho de uma mão humana normal. E, quando o monstro viu a senhorita Lee na encruzilhada esperando por ele, ele parou, olhou bem para a moça americana que o esperava e uivou alto e feroz, mostrando os dentes enormes e afiados, pois sua cabeça era muito feia e assustadora, como a de um homem com nariz de lobo, e toda coberta de pelos exceto pelos olhos e pelos dentes à mostra.

A senhorita Lee, então, reunindo toda coragem de que era capaz, e era muita coragem, voltou as costas para o lobisomem e levantou sua saia, debaixo da qual estava nua, para facilitar seu intento, que era exibir seu bumbum para a fera. Era um bumbum muito branco, e ainda mais branco porque a senhorita Lee estava pálida de medo, pois mesmo sendo uma moça muito corajosa ela enfrentava uma fera apavorante, estava em sua primeira missão e não sabia se viveria ou não para uma segunda. Por isso, seu bumbum aparecia muito branco. Mas era um bumbum redondo, liso e muito bonito, de médio a grande para os padrões brasileiros, e grande sem exagero para os padrões americanos e europeus. O tamanho do bumbum era realçado pela cintura fina e bem torneada, de forma que a americana tinha um belo corpo, com as curvas nos lugares certos.

Diante da visão do lindo bumbum da senhorita Lee, o lobisomem, que estava prestes a dar um salto para despedaçar a americana que ousara esperá-lo, se viu paralisado, incapaz de olhar seja para as matas, seja para a lua a quem ele dedicava seus assustadores uivos, seja para seu habitual caminho de destruição e morte pelas sete encruzilhadas, ou sequer para qualquer outra parte do corpo da senhorita Lee além do bumbum belo e muito branco que ela exibia, tremendo não só de medo como também de vergonha (afinal não era uma atitude das mais decorosas a atitude da senhorita Lee, exibir o bumbum – mesmo a noite, numa mata quase deserta, excepto pela única testemunha, uma fera irracional, mesmo assim exibir o bumbum não era algo de se esperar de uma moça bem educada), porém firme e decidida a aguentar as consequências de seu ato, que ela entendia como essencial à sua missão de livrar o lobisomem de sua terrível e triste maldição e, ao mesmo tempo, salvar as vidas das possíveis vítimas da fera terrível e perversa em que se transformava um pobre homem sofredor e desesperançado.

Aos poucos, a fera deixou sua paralisia, mas não sua obsessão. Andando devagar, quase se arrastando, se aproximou da senhorita Lee, os olhos fixos no bumbum branco iluminado pela lua e acariciado pelo vento. A senhorita Lee tremia tanto que dava a impressão de balançar propositadamente seu bumbum, o que no Brasil chamam de “rebolar”. Pobre moça americana que sequer conhecia o verbo “rebolar”, termo da língua portuguesa com poucos equivalentes em línguas estrangeiras. O fato é que a tremedeira da senhorita Lee e consequente “rebolado” de seu bumbum não diminuíam nem a beleza de seu traseiro, pelo contrário, aumentava, nem a obsessão da fera, que se aproximava cada vez mais...

Então, a senhorita Lee sentiu que o vento estava quente, e soube que era o bafo feroz do lobisomem pelo seu belo bumbum, o que a fez estremecer ainda mais. Ela sabia o que viria em seguida e começou a chorar antecipadamente, mas mesmo assim continuava decidida a se sacrificar para salvar a pobre alma aprisionada no monstruoso corpo, tão diferente do delicado corpo da senhorita Lee.

Nesse momento, a fera mirou a lua e uivou. Um uivo forte, alto, ofegante, ameaçador. Era como se soubesse que aquela seria a última vez que renderia uma homenagem à lua, e por isso precisasse ser o mais alto, assustador e desesperado de todos os uivos. E, quando terminou de uivar, segurou a senhorita Lee pela cintura, sem deixar a saia cair, e apertando-a contra seu peito musculoso e coberto de pelos, de forma que ele pudesse correr e carregá-la, mas sem deixar de admirar o belo bumbum branco e redondo dela.

O lobisomem correu até uma casa isolada, longe tanto da vila quanto das casas-grandes dos latifundiários e das trilhas usadas pelos campônios, e a senhorita Lee deduziu que aquela deveria ser a casa do lobisomem quando em forma humana. Mas o lobisomem não entrou em sua casa, ao invés foi até uma pedra que ficava logo atrás, e lá sentou. Depois de lá se sentar, a fera ajeitou a senhorita Lee em seu colo, deitando-a de bruços e sempre mantendo-a com o branco e redondo bumbum de fora.

“É agora, Deus me dê força e coragem”, pensou a senhorita Lee.

E o lobisomem desceu, rápido e forte, sua grande mão no bumbum da senhorita Lee, dando-lhe uma sonora e forte palmada. A mão da fera era muito dura, e grande, de modo que uma palmada podia atingir todo o bumbum da senhorita Lee de uma só vez. Quando a fera deu a primeira palmada, a senhorita Lee deu um grito, mais de susto que de dor, é verdade, mas de muita dor também.

A outra palmada veio logo, e também foi forte. A mão do lobisomem, alongada como era, e dura, parecia à senhorita Lee uma régua muito largar estalando em seu bumbum, e já na segunda batida a dor foi muito maior do que o susto.

Logo depois veio a terceira palmada. A senhorita Lee, por reflexo, quis proteger seu bumbum com a mão, mas se conteve: era preciso aguentar as palmadas para que o lobisomem se curasse. E a cada palmada o lobisomem batia mais forte, e mais rápido, sempre com sua mão alongada, grande e dura.

Não demorou muito para que lágrimas viessem aos olhos da senhorita Lee.

A jovem americana, com o rosto molhado de lágrimas, juntou as mãos e as ergueu ao céu. Estava rezando, implorando a Deus que fizesse a fera terminar logo com as palmadas. Mas isso era, também, uma maneira de se impedir de cobrir o bumbum com as mãos. Por outro lado, a senhorita Lee esperneava com todas as forças, pois ela tinha percebido que não poderia escapar da fera enorme balançando suas pernas, mas ao menos isso a distrairia durante a surra que ela deveria suportar com o máximo de resignação possível.

O lobisomem respirava ofegantemente, e a senhorita Lee sentia seu bafo quente em sua nuca. As palmadas seguiam rápidas e fortes mas, em certo momento, a senhorita Lee percebeu que elas se tornavam mais lentas e fracas, e que o bafo do lobisomem se tornava menos intenso. Ela virou o rosto para olhar a fera e percebeu que sua pele se tornava menos peluda e seu rosto menos animalesco. Logo, a criatura que dava palmadas no bumbum da senhorita Lee não seria mais um lobisomem mas um homem.

O lobisomem se enfraquecia, mas a vontade de bater sempre muito forte parecia aumentar. Talvez o monstro estivesse se desesperando diante de seu enfraquecimento, diante de sua transformação em homem, como um homem se desespera quando se vê transformado em lobisomem. O bumbum da senhorita Lee estava bastante vermelho, e até mesmo inchado, criando bolinhas, quando a fera afinal parou.

Já não era mais um lobisomem.

O pobre homem se levantou, empurrando a senhorita Lee, que caiu batendo o bumbum no chão, o que foi muito doloroso para ela. Aliviada por poder enfim cobrir o bumbum com a saia, a senhorita Lee percebeu que o homem estava numa especie de transe, como se fosse um sonambulo. Com suas roupas rasgadas, consequência da transformação que sofrera, o homem entrou em sua casa, deixando a senhorita Lee sozinha perto da pedra. A fera de mais de dois metros e meios, cujos passos faziam a terra tremer quando corria, se transformara em um homem muito magro de não mais de um metro e setenta, que caminhava devagar, pois sequer estava acordado para saber o que fizera quando em forma lupina. Talvez ele ainda não soubesse que estava livre da maldição

A senhorita Lee olhou para o céu escuro. Olhou para a lua cheia. Seu rosto estava literalmente molhado de tantas lagrimas, mas ela estava satisfeita, por ter cumprido seu dever e salvado um inocente de uma maldição terrível.

A mulinha que ela tinha montado tinha ido atrás dela, guiada pelos gritos e gemidos da senhorita Lee, talvez. Bem, agora era hora de voltar a montar na mulinha. Era preciso voltar a casa do padre. Mas quando a senhorita Lee sentou na mula a dor em seu bumbum foi tanta que ela desmontou imediatamente, preferindo andar a pé para a casa do padre. Então, a senhorita Lee foi a pé, parando às vezes para descansar, se escorando na mula. O bumbum dela ardia quando encostava no tecido da saia, e porque estava com sono e cansada, e também porque doía seu bumbum quando dava um passo mais largo, ela andou muito devagar em seu caminho de volta. Felizmente a casa do padre não era muito longe da casa do moço que a senhorita Lee tinha curado.

Assim, naquela madrugada de lua cheia, a senhorita Lee bateu à porta do padre Silva, que tinha ficado acordado esperando por ela.

- Senhorita Lee! Você está bem?
- Não, padre, eu não estou bem, mas logo estarei. Você tem aqui o que eu pedi?
- Uma moça com um unguento? Sim, você se feriu?
- Digamos que sim, um pouco... mas prefiro explicar para a moça, padre.
- A senhorita não está com um bom aspecto, senhorita Lee... mas se prefere explicar para a moça, eu vou deixá-las em paz.
- Realmente prefiro, padre, obrigada.

O padre Silva saiu do quarto, e então a senhorita Lee levantou a saia e deitou de bruços na cama, mostrando o bumbum machucado à camponesa de Vila Pequena, que entendeu que deveria passar o unguento, o que fez imediatamente.

- Está muito machucado seu bumbum, senhorita Lee...
- Eu sei, minha cara, eu sei.
- Mas esse unguento é bom para isso, acho que em três ou quatro dias você estará boa.
- Espero...
- Eu já passei unguento uma vez, senhorita Lee, num bumbum tão machucado quanto o seu.
- Oh, minha cara... unguento, em seu bumbum?
- Oh, não no meu bumbum... quer dizer, sim, no meu bumbum, mas nunca fiquei tão machucada assim, senhorita Lee... eu falo do bumbum de uma amiga minha... ela apanhou de cinto, porque o pai dela não permite que as filhas namorem, mas ela namora mesmo assim.
- Entendo...
- Foram muitas cintadas, senhorita Lee... o bumbum dela ficou como o seu, mas ela ficou boa em quatro dias e voltou a namorar.
- Eu acho que ela devia ter obedecido ao pai.
- Eu também acho, mas ela estava apaixonada, entende?
- Entendo, minha cara.
- Esse unguento é ótimo, senhorita Lee. Eu já usei ele no meu bumbum também. Meu pai, meus irmãos e principalmente minha mãe dão muitas palmadas no meu bumbum e nos bumbuns de todas as minhas irmãs, mas só com a mão. É muito comum por aqui, senhorita Lee, moças levando surras no bumbum mesmo depois de grande.
- Sim, minha cara, isso deve ser verdade.

Durante quatro dias a camponesa apareceu na casa do padre para passar unguento no bumbum da senhorita Lee. Esses quatros dias tiveram noites de lua cheia, mas o lobisomem não aparece mais para assombrar o povo de Vila Pequena. No entanto, o padre Silva só se tranquilizou de vez quando ouviu uma confissão de um rapaz, que disse costumar sonhar que era um lobo, mas esses sonhos tinham acabado, desde que sonhara com uma moça muito branca e loira, e no sonho ele fazia coisas muito dolorosas com ela, coisas que o rapaz teve vergonha de contar em detalhes para o padre. O padre Silva entendeu que o rapaz tinha sido o lobisomem e que a senhorita Lee o curara, e não pediu mais detalhes, pois podia bem imaginar o que acontecera.

Quando a senhorita Lee ficou boa, o padre a levou até a estação e ela embarcou de volta para o Rio de Janeiro, com todas as bençãos e muitas gratidões do padre Silva, bem como da camponesa, únicas pessoas de Vila Pequena que sabiam o que se passara.

- A senhorita Lee é uma grande mulher, não é, padre? - disse a camponesa ao padre, depois que a senhorita Lee partiu.
- Sim, minha cara, ela é uma santa mulher, como raras nesse mundo. Ela podia ter ficado na Europa ou nos Estados Unidos, e ter se tornado uma abadessa cheia de cultura, ou então poderia ter se casado com um homem de posses e se destacado nas mais refinadas sociedades do mundo, mas ao invés ela veio ao Brasil para curar nossos lobisomens. É uma santa, a senhorita Lee, minha cara, uma santa.

No trem, a senhorita Lee olhava pela janela... até que aquela era uma boa terra, e ficaria melhor ainda, livre da maldição do lobisomem. Mas ela não pensou muito nisso, estava preocupada com a próxima missão. O francês Dumont tinha escrito uma carta para a senhorita Lee enquanto ela se recuperava na casa do padre Silva. Ela teria que viajar ao interior de São Paulo, para outro caso de lobisomem. A senhorita Lee não se espantou, ela esperava mesmo algo assim. Sabia que no Brasil havia milhares de casos de lobisomens, ignorados pela Igreja e pelas autoridades. Enquanto precisassem dela para ajudar os pobres amaldiçoados que ninguém mais queria ajudar, a senhorita Lee permaneceria no Brasil, dando graças a Deus pela chance de ajudar tantas almas desesperadas.

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